domingo, 22 de setembro de 2019

Problemas na saúde

Prefeita de Sossego tenta desmentir denúncia documentada

“É melhor pensar sem falar do que falar sem pensar”. Se a prefeita de Sossego conhecesse esse ditado não teria tentado desqualificar, em seu programa de rádio levado ao ar ontem, as cidadãs que exigiram o cumprimento do princípio da eficiência no atendimento de saúde no município.

Observada com calma a fala da prefeita piora ainda mais a sua situação perante a opinião pública.

Amanda Silva e Maria José, as pessoas atacadas por ela em seu programa, foram ao posto de saúde “Pedro Vieira da Silva” e encontraram a unidade sem nenhum servidor.

Elas procuravam atendimento para uma criança da família que estava com febre alta. Depois de muito esperarem e não aparecer ninguém na unidade para recebê-las, se sentiram desprezadas pela administração pública e usaram o celular para documentar que o posto estava sem atendimento.

O que passou disso é fantasia da cabeça da prefeita. “Peroração flácida, a fim de se fazer dormitar bovinos”, como diz outro ditado.

A gravação da falta de atendimento, junto com os argumentos das pessoas que fizeram as imagens, está disponível no YouTube [aqui].

Alegações da prefeita
“A pessoa achou muito difícil esperar e, em vez de perguntar o que tava (sic) acontecendo, [trecho inaudível] foi chamar um dos vereadores e foi parar nas redes sociais”, iniciou Lusineide Oliveira.

Durante sessão ordinária do dia 20 de setembro, o vereador Robson Renan abordou o assunto. Primeiro ele explicou o fato aos demais vereadores e parabenizou o espírito de cidadania das mulheres que procuraram o seu gabinete para denunciarem o problema.

Depois o parlamentar esclareceu como funcionam os protocolos de atendimento do Sistema Único de Saúde. Leia o discurso de Robson Renan [aqui].

Na rádio a prefeita tentou dar uma explicação desses mesmos protocolos. “Vale salientar: nós somos unidade básica de saúde... O que preconiza o Ministério da Saúde é que as unidades básicas de saúde funcionem de segunda à sexta-feira, até às cinco da tarde”, disse Lusineide Oliveira.

Ministério da Saúde
De acordo com o inciso I, do art. 198 da Constituição da República as ações e serviços públicos de saúde são oferecidos através de uma rede descentralizada, com direção única em cada esfera de governo.

Isso quer dizer o seguinte: o município de Sossego tem autonomia para decidir se vai abrir o posto à noite e no final de semana. Mas, uma vez que decidir abri-lo, deverá garantir o atendimento dentro dos parâmetros do Sistema Único de Saúde (SUS), ou seja, através de uma equipe multiprofissional.

Se a prefeitura resolveu oferecer o atendimento sem cumprir o que as normas preconizam, incide em ilegalidade e está sujeita às penalidades da lei.

“Posto que funciona com equipe desfalcada e sobrecarregada fere o art. 198 da Constituição Federal”, explicou Renan na tribuna da Câmara Municipal.

Na sua fala Lusineide Oliveira admitiu que o posto trabalha apenas com o serviço de enfermagem na parte da noite. Afirmou ainda que, nos sábados e domingos, a unidade é aberta “normalmente”. Ocorre que, “normalmente”, de acordo com a Estratégia de Saúde da Família (ESF) o atendimento deveria ser realizado por uma equipe multiprofissional.

Intolerância
Em ataque direto às usuárias que denunciaram, com provas, o descaso no posto de saúde “Pedro Vieira da Silva”, a prefeita continuou: “Tem gente que tentar subir fazendo dos outros escada. É lamentável que temos que conviver com tipos de pessoas dessa natureza. A gente lamenta muito”.

“A prefeita rotula como sabotagem o meu direito de defender o povo de Sossego e o direito de as pessoas exigirem qualidade no serviço público custeado com os impostos que todos nós pagamos”, lamentou Robson Renan.

“Somos limitados. Eu costumo dizer isso todos os dias. Erramos todos os dias. Somos totalmente limitados”, confessou Lusineide Oliveira. “Disso ninguém tem dúvida”, concluiu Robson Renan.

domingo, 15 de setembro de 2019

Falta de gestão

Moradoras de Sossego denunciam precarização de atendimento
no posto de saúde Pedro Vieira da Silva

Amanda Silva e Maria José Silva, respectivamente tia e avó de uma criança que deveria ser atendida neste domingo por um profissional da Unidade Básica de Saúde (UBS) I de Sossego, voltaram pra casa aborrecidas depois que encontraram o posto Pedro Vieira da Silva sem nenhum atendente.

Elas procuraram o vereador Robson Renan e denunciaram o problema. De acordo Maria José, o posto estava vazio no momento que ela chegou à unidade porque o atendimento era realizado, neste domingo (15), por apenas um enfermeiro.

O profissional havia se ausentado do posto para fazer um atendimento domiciliar. "Na unidade não só pode ter um enfermeiro. Tem de ter um técnico. E lá não está tendo técnico. Ele [o enfermeiro] está sozinho para fazer tudo", explicou Maria José.

Para comprovar a denúncia, mãe e filha encaminharam para o vereador Renan uma gravação do local no momento em que chegaram ao posto. No vídeo [veja aqui] é possível verificar que não havia servidores de plantão.

Reação
Em 2019 a Prefeitura de Sossego já empenhou R$ 2.021.461,09 para despesas com saúde. Para o vereador Renan não faz sentido abrir um posto de saúde aos finais de semana com apenas um enfermeiro para cuidar de todo o serviço.

Na próxima sexta-feira o vereador vai discutir o problema na Câmara Municipal. Ele recomenda que os cidadãos de Sossego continuem a filmar e denunciar os problemas da administração porque o serviço público deve ser eficiente e a liberdade de expressão é, segundo o parlamentar, um direito de todos.

O protocolo de estratégia de Saúde da Família (ESF) do Sistema Único de Saúde (SUS) garante aos cidadãos uma equipe multiprofissional composta por médico, enfermeiro, auxiliar ou técnico de enfermagem e Agente Comunitário de Saúde (ACS).

Pelo que as moradoras constataram neste domingo as normas do SUS não são cumpridas em Sossego.  "Depois de muita espera a criança foi atendida", informou Renan.