Carlinhos desvia dinheiro de obras e é condenado a devolver tudo
Inconformado com sentença proferida pelo Juiz Federal Vinícius Costa Vidor, o ex-prefeito de Sossego, Carlinhos, atacou o vereador Renan durante o programa Conexão Sossego, exibido no dia 19 de agosto.
Neide Oliveira, seguiu o seu padrinho político e disse sentir-se perseguida pelos órgãos de controle.
“Hoje em dia ser gestor, a gente não passa de uma marionete na mão dos órgãos fiscalizadores. É assim que eu me sinto. Tudo o que você faz tem alguém lá pra dizer ‘ei, isso aqui tá errado’”.
Sem citar o nome de Renan, tanto Carlinhos como Neide disseram que o vereador motivou a sentença condenatória do ex-gestor e outros réus.
De acordo com o prefeito condenado, “Muitas vezes você quer fazer o bem pras pessoas mas, por causa de vereador que fica abrindo denúncia contra você, você termina brecando”.
Renan rebateu o detrator. “Ninguém rouba dinheiro público para ajudar as pessoas. A condenação do ex-prefeito foi por enriquecimento ilícito e não por ter feito caridade”.
De acordo com a sentença do juiz Vinícius Costa Vidor, Carlinhos usou máquinas da prefeitura para pavimentar cinco ruas de Sossego, e pagou R$ 586.766,86 à empresa que deveria ter realizado a obra.
O ex-prefeito ainda usou o próprio caminhão no canteiro e se apropriou de pagamentos empenhados em nome da Mimozza Construção LTDA.
Na sentença, o juiz desmonta a fraude e destaca a participação do ex-gestor no comando dos criminosos.
“Verifica-se [...] que os ilícitos aqui indicados foram possíveis devido à participação direta do ex-prefeito, Carlos Antônio Alves da Silva, que autorizou todos os pagamentos à empresa que sabidamente não estava executando o serviço, tendo em vista que seus próprios bens estavam sendo utilizados para a execução da obra de pavimentação”.
Com base no documento da Justiça Federal da Paraíba, Renan afirma com convicção: “Enquanto Carlinhos se acha um injustiçado, o juiz comprova que ele é apenas um criminoso”.
Além das pavimentações, o político também foi condenado pela obra inacabada de uma quadra.
A carcaça do equipamento esportivo continua inacabada na Rua Ascendino de Melo. O gasto foi de R$ 157.876,37 e também resultou em condenação para Carlinhos e os integrantes do seu esquema.
“[...] em vistoria realizada no município no ano de 2017, verificou-se que a obra foi abandonada, estando a construção inacabada e paralisada, apenas com os alicerces erguidos. Em 2021, realizada nova vistoria, verificou-se o mesmo estado de paralisação da obra, indicando que todo o recurso investido foi desperdiçado”, registrou o juiz em seu despacho.
Durante audiência realizada no ano passado e presidida pelo juiz Gustavo de Paiva Gadelha, ficou demonstrado um depósito feito pela construtora Mimozza para o posto de Carlinhos, localizado na cidade de Cubati.
Mesmo assim, Neide Oliveira insiste em ignorar os fatos. “Porque você não colocou um centavo disso no seu bolso”.
“Não foi o que se viu no vídeo da audiência”, lembrou Renan.
“O senhor tinha alguma relação pessoal ou profissional com a Mimozza fora.. para além da Prefeitura de Sossego?”, perguntou o juiz.
Carlinhos respondeu com nervosismo. “Eu não conhecia nem os donos dela, na verdade. É... duas, três vezes, como eu falei há pouco tempo. Não tenho nada de conhecimento com a empresa”.
Na sequência, o magistrado informou que, por meio de quebra de sigilo bancário do posto, foi constatado um único depósito de R$ 20.000,00 realizado pela Mimozza.
O ex-prefeito respondeu em tom de pergunta para o juiz. “Deve ter sido para pagar o combustível de consumo deles, né?”
“Eu não sei. Eu tô perguntando”, lembrou Paiva Gadelha.
Em seguida, enfatizou a contradição do réu. “Porque eu comecei perguntando se tinha alguma relação profissional ou pessoal com a Mimozza”.
E concluiu. “Não foi um abastecimento lá. Não tem como abastecer 20 mil reais, né?”.
Enquanto Carlinhos não soube responder à indagação do juízo, Renan ironizou o ex-prefeito usando uma frase do cantor Falcão. “É melhor cair em contradição do que do oitavo andar”.
No programa de rádio, Neide cometeu um ato falho. “Nós somos julgados com o peso de quem faz a coisa errada. Aí por isso que nós somos tão penalizados”.
“Já a prefeita me julga por fiscalizar os desvios dos recursos públicos dos criminosos de estimação dela. É como o poste urinar no cachorro”, disse Renan.
No desespero para justificar seus crimes, Carlinhos atacou até os eleitores de Renan. “E, o meu ponto de vista, as pessoas que votam nesse cidadão continuam perdendo do mesmo jeito”.
Eleito para o terceiro mandato consecutivo, o vereador tem o respeito da população de Sossego e nunca foi condenado por botar no bolso o dinheiro do povo do município.
“Eu durmo o sono dos inocentes e meus eleitores são pessoas dignas”, concluiu o parlamentar.


