domingo, 2 de agosto de 2020

Pelo poder das leis

Os ratos serão estrangulados nas ratoeiras

Robson Renan

Desde janeiro de 2017 o município de Sossego recebe uma média de quase sete milhões de reais por semestre. Esse dinheiro deve ser usado para manter o bem-estar da população, atender necessidades básicas como educação, transporte, infraestrutura, saúde, etc.

De acordo com as regras democráticas eu, e todos os demais vereadores, fomos eleitos para propor leis e, também, fiscalizar o orçamento público.

A segunda atribuição dada aos parlamentares serve para que o dinheiro, que é público, não tome dois possíveis caminhos: o do bolso de quem tem atribuição de cuidar dele ou o do desperdício, ao ser empregado em obras e serviços ineficientes.

Apesar de os recursos na conta e dos gastos nos balancetes mensais, falta tudo em Sossego. A cidade está visivelmente abandonada e, a zona rural, também. 

Se o dinheiro entra, se os gastos ocorrem e se os benefícios sociais não são vistos pela população, tem alguma coisa errada no emprego das receitas do município.

Quando um vereador passa a fazer a defesa cega da prefeita e de seus desmandos, deixa de respeitar o povo para servir aos interesses obscuros de quem deveria ser fiscalizado.

Agora, em ano de eleição, tem vereador que anda “atrepado” em máquinas da prefeitura para dizer que está fazendo estrada. Começaram a fazer alguns trabalhos neste mês, depois de três anos de abandono geral da cidade e da zona rural.

Mas vereador não é operador de máquina. Pra fazer lei não se usa caminhão, nem pá e nem colher de pedreiro. Lei se faz com compromisso e conhecimento. Grandezas que, desde 2017, faltam aos vereadores de situação.

Já para fiscalizar é preciso ter coragem para analisar pilhas de documentos, andar pelo município e enfrentar os malfeitores nas redes sociais, na tribuna da Câmara e nos tribunais. 
Negar que Sossego está abandonada é ato de covardia. Se em Sossego falta tudo, por que nas contas da prefeitura não sobra nada? Ratos podem até comer dinheiro de papel, mas não sabem fazer transações bancárias.

Nenhum vereador questiona isso. Mas eu questiono. E vou mais longe: sem pressa, com humildade e com o poder da lei, já estou procurando entender esse mistério. Identifiquei alguns rastros e já comecei a armar as ratoeiras.

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