terça-feira, 10 de junho de 2025

Indícios de corrupção

Renan descobre rachadinha na Câmara
de Sossego e é perseguido por Manuel Biá

Uma cassação política está sendo articulada contra o mandato do vereador Renan em Sossego.

Constrangidos pela atuação do parlamentar, vereadores situacionistas prepararam uma emboscada para tentar silenciar um mandato que age, absolutamente, dentro da legalidade.

“Eu vou ser cassado mesmo. É um julgamento político. Mas isso será revertido pela via judicial”, garante Renan.

O mais recente incômodo gerado entre os vereadores da base da prefeita é uma denúncia de rachadinha no gabinete do atual presidente da câmara entre os anos de 2021 e 2024.

Renan explica como soube do esquema. “Infelizmente eu constatei esse possível crime após ser procurado por um ex-servidor da câmara”. E adianta. “Agora eu vou mostrar pra população uma das razões que motivam a perseguição ao meu mantado”.

Provas
Munido de comprovantes de depósito, Renan argumenta que o vereador Manuel Biá exigia a devolução de parte do salário do seu chefe de gabinete enquanto presidiu a câmara no biênio de 2021 e 2022.

“O servidor me garantiu que devolveu parte do salário desde o primeiro mês que trabalhou na câmara e só parou de fazer os depósitos no último mês de contrato”, revelou o vereador.

Renan obteve uma parte dos comprovantes de depósito e espera que o sigilo bancário de Manuel Biá seja quebrado pela justiça para ter conhecimento da totalidade dos valores devolvidos no suposto esquema de rachadinha.

De acordo com o assessor foram feitas devoluções de todos os meses de trabalho. Mas uma parte significativa do dinheiro foi entregue em mãos.

A expectativa de Renan é que o Ministério Público apure a denúncia e, a Justiça, ordene a quebra do sigilo bancário do atual presidente para conhecer a extensão do provável dano causado às finanças da câmara.

Valores
Os vencimentos do servidor nos 42 meses de contrato totalizaram R$ 41.509,00. Ele entregou a Renan comprovantes de R$ 3.200,00 referentes a devoluções dos salários dos meses de novembro e dezembro de 2022.

“Algumas devoluções, de acordo com o denunciante, foram feitas em dinheiro vivo”, disse o parlamentar.

No biênio seguinte, o funcionário deixou a chefia de gabinete e foi investido no cargo de assessor parlamentar. Ele recebeu R$ 34.875,30 no período e entregou comprovantes de devolução de R$ 8.150,00.

Pelo menos dois pagamentos via Pix foram feitos à filha do vereador Manuel Biá.

Nos meses de abril e junho de 2023, os comprovantes em posse do mandato, estão no nome de Mariana Nilene Farias Ferreira. A soma dos documentos totaliza R$ 1.000,00.

Folha de pagamento
A denúncia feita a Renan pelo ex-assessor de Manuel Biá, também pode revelar uma prática aparentemente comum entre os demais parlamentares de Sossego.

Indicações a cargos comissionados na câmara não seguem um critério técnico e são feitas, geralmente, durante a votação para a presidência.

“A folha é alta. Uma investigação mais ampla pode mostrar o tamanho real dessa possível fraude e comprometer mais vereadores da base governista”, acredita Renan.

Levantamento feito pela assessoria do parlamentar nos dados de transparência do Tribunal de Contas da Paraíba (TCE-PB), mostrou um crescimento muito alto na folha de pagamentos da Câmara Municipal de Sossego nos últimos oito anos.

Renan confirma o salto. “Passamos de R$ 425.631,99 no ano de 2017 para R$ 669.958,81 em 2024”.

Entre 2017 e 2024 a câmara gastou R$ 4.019.987,87 para pagar servidores comissionados e vereadores. Só a folha de comissionados totalizou R$ 772.047,87.

Renan faz um questionamento: “Se existe rachadinha nos gabinetes dos vereadores de situação, como provavelmente existe no caso do vereador Manuel Biá, quanto custa essa fraude para o município de Sossego?”

A resposta, de acordo com o vereador, só poderá ser dada pelo Ministério Público e pelo Judiciário.

Cassação política
Na cabeça dos vereadores de Sossego quando parlamentares da oposição fiscalizam e mostram provas de condutas legalmente erradas, isso é desrespeito aos colegas.

Renan garante que, se os votos que recebeu e foram reconhecidos por sua diplomação após o processo eleitoral não tiverem validade jurídica, a arapuca política da cassação terá um efeito definitivo sobre o seu mandato.

Mas se a lei ainda tiver algum valor em Sossego, ele diz que a história será outra. “Os vereadores que eventualmente praticaram rachadinha é quem devem estar preocupados com cassação”.

Antes de finalizar, o vereador reafirma o seu dever. “Minha função é fiscalizar e comunicar os problemas aos órgãos de controle externo. Daqui pra frente é com o Ministério Público e com o Judiciário. Eu confio nos dois”.